Monthly Archives: junho 2015

#pixo

Por Márcia Tiburi:
“‪#‎DecriminalizarAPiXação‬ ‪#‎PixoLivre‬
Minha mais nova “amiga” aqui neste FB é Suellem Ribeiro que mora em Belo Horizonte. Ela está presa em casa com uma coisa estranha chamada “tornozeleira” junto ao seu corpo. Suellem foi presa de um jeito muito estranho, em uma operação da polícia de Belo Horizonte em que prenderam umas 15 pessoas acusadas de serem pixadores. Como eu também sou pixadora vou defender a minha colega.
Estou na metáfora, verdade. Mas, por outro lado, a pixação é um conceito complexo. A gente pixa muita coisa de muitos jeitos.
Os pais da Suellem, assim como ela, não estão bem com essa prisão maluca, em casa, depois de tudo o que a garota passou na cadeia. Não entendem o motivo pelo qual a filha foi presa e porque está presa em casa com esse objeto humilhante preso ao seu corpo.
Eu me junto aos pais dela. É algo tão sem sentido que, mesmo os especialistas não conseguem justificar o que aconteceu. Ela e os colegas tem um advogado. Tomara que ele consiga resgatar a garotada desse delírio autoritário do Estado Penal, porque não é outra coisa. Se ela fosse rica já estaria livre. Isso é certo. Mas o fato é que ela está presa em casa e não estava fazendo mal a ninguém.
O pixo não é mal nenhum. Nunca.
O pixo é complicado para as pessoas, é verdade. E nisso reside a sua força e a sua beleza. O pixo significa muitas coisas complexas, como por exemplo, o direito visual à cidade. Mas sobretudo o que é interessante de ver é que ele melhora a cidade visualmente. Isso também é difícil para as pessoas. A cidade fica elegante. Não fosse o pixo em São Paulo, nas grandes cidades, a pobreza visual seria incrível. E o reino seria o da cafonice. Ainda bem que há o pixo pra nos salvar do nouveau riche. Falo isso meio ironizando, porque todo mundo sabe que a disputa estética só esconde um problema político grave, o autoritarismo do sistema. Contra o qual, aliás, parece que a Suellem pichou uma coisa ótima.
O uso da tornozeleira me deixa indignada. É desproporcional. Deixo aos meus amigos do direito, o esforço de explicar o que se passa didaticamente. E o farão para concluir o que todos sabemos: que é só mais um ato autoritário desse negócio que é o Estado Penal.
Eu vou defender a Suellem junto da pixação que é uma prática de linguagem das mais ricas em termos poéticos e líricos, estéticos e políticos. Já fiz tanto isso de falar da pixação que até fico meio com medo de me repetir. Por defender a pixação como linguagem (e ARTE), também já fui maltratada em situações bem medonhas. Quem não entende de pixo em geral tem ódio dele. Coisas de ideias fixas e idiossincrasias. As pessoas odeiam o que não entendem, além de viverem cegas na estética-política do muro liso e limpinho que tem os piores significados sociais. Sobretudo em um país como o nosso.
Bom, mas o assunto é sério e tem muita gente com a intenção de esclarecer sobre o que se trata. Eu já escrevi na Cult, na Redobra, já falei sobre isso em muitos lugares. Estava pensando umas coisas que eu achei que eram muito interessantes e sofisticadas em termos de filosofia com a pixação. Quem quiser ler, só olhar: http://www.redobra.ufba.br/…/20…/12/redobra12_EN6_marcia.pdf
Antes tinha escrito o Pensamento Pixação: http://www.redobra.ufba.br/…/20…/12/redobra12_EN6_marcia.pdf
Mas agora comecei a sofrer porque pensei que o delegado, o policial, essa gente toda que se juntou pra prender os meninos nunca vão querer entender do que se trata. Aí encontrei um texto na página do Pixo Livre
https://www.facebook.com/pixolivre?fref=ts
escrito pela Natacha Rena que me pareceu o melhor de todos pra explicar para as pessoas o que é o pixo. Recomendo que leiam:
https://www.facebook.com/natacha.rena/posts/10153043719240838?fref=nf
#DecriminalizarAPiXação #PixoLivre
GustavoCoelho
Suellem Ribeiro, não vamos deixar você sozinha em casa.”

quanto mais preso, maior o lucro

QUANTO MAIS PRESO, MAIOR O LUCRO
E pode ser preso baixando a maioridade penal ou prendendo apenas restringindo a liberdade pro “de menor” aumentando o tempo de reclusão de 3 para 8 anos (como quer o Ministro da Justiça do atual governo). Tá bonito ver PT e PSDB juntos no projeto que vai deixar a bancada da jaula super feliz. A questão é que vão privatizar de um jeito ou de outro o dispositivo de privação de liberdade.
Este documentário deveria ser passado nas ruas, nas escolas, nas igrejas, nas festas, em todos os lugares deste país. O que estão preparando para os pretos-pobres é o seguinte:
1. os grandes traficantes nacionais brancos-ricos, que estão envolvidos tanto no judiciário quanto no senado, continuam carregandos helicópteros com cocaína pura que é trazida pro Brasil e distribuída nas favelas para que os pretos-pobres trafiquem;
2. pretos-pobres traficam e abastecem o mercado dos brancos ricos que usam cocaína;
3. pretos-pobres pagam para a PM e para a Milícia fazer vista grossa, mas às vezes não obedecem ao esquema e são assassinados (um por hora no país);
4. Estado-capital criam PPPs (parcerias público-privadas) nas quais o Estado investe/ paga/ doa/ transfere pra empresas privadas (com nosso dinheiro) alguns mil reais por preso por mês;
5. pretos-pobres presos se tornam uma mina de ouro porque fazem com que o Estado transfira recurso público para o mercado e além de serem presos pra dar lucro, eles trabalham pra empresas privadas de graça produzindo de tudo (sem o benefício das leis trabalhistas).
6. ‪#‎Pimentel‬ vai dar continuidade ao projeto do PSDB de Aécio e Anastasia e já inaugura mais algumas prisões;
7. para aumentar o lucro, mais preto-pobre precisa ser preso.

http://apublica.org/2014/05/quanto-mais-presos-maior-o-lucro/

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/06/1642825-cunha-faz-acordo-com-psdb-e-reducao-da-maioridade-deve-passar-na-camara.shtml

Sobre o pixo e a multidão

Não podemos nunca esquecer que a cidade tem se tornado um campo fértil pra expansão das Parcerias Público Privadas (em diversos níveis) e mantê-la limpa aumenta o seu valor. Então existe uma obsessão higienista e, cada vez mais, manter tudo limpo, branco, espelhado, sem árvores, sem bancos, faz parte de um projeto neoliberal de padrão internacional.

Esta é a lógica da cidade-empresa. E as pessoas comuns não percebem o quanto estão naturalizando a criminalização dos que não aceitam as regras impostas por uma elite, seja financeira, seja intelectual. Muitos dizem que o pixo é uma forma agressiva do garoto da periferia se expressar. Eu acho que às vezes isto pode atravessar a atitude do pixo. Mas vejo este ato muito mais como um modo de vida nas metrópoles próprio da juventude potente de vida e desejosa de se expressar que acabam utilizando as superfícies da cidade pra isto como se fossem grandes cadernos de caligrafia e mais um suporte de comunicação.

Se pensarmos bem, existem muitas perguntas importantes a serem feitas:

Porque o ‪#‎PIXO‬ é crime ambiental e dá cadeia e
assassinar milhares de árvores pra projetos urbanísticos, que darão lucro pra iniciativa privada não é crime ambiental?

Porque as mineradoras e o agronegócio acabando com a água, não é crime ambiental?

Porque construir viadutos com cimento podre que cai e mata gente não é crime?

Porque toda a cidade pode ser superfície de publicidade sem nenhum respaldo cidadão sem nenhuma consulta pública?

Porque alguém que intervém nas superfícies urbanas sem pedir licença sofre uma pena privativa de liberdade?

Fora que é inacreditável que as “autoridades” e os intelectuais e os governantes não tenham parado pra pensar e pesquisar melhor o que está imbricado neste contexto do pixo nas metrópoles brasileiras.

O próprio prefeito quando tomou posse, em menos de um minuto de fala (que poderia estar trazendo muita pauta importante pra cidade, de melhoria de qualidade de vida, de proteção ambiental, de aumento de áreas verdes, de aumento de espaços públicos), gastou seus primeiros minutos numa entrevista pra dizer que seu governo iria combater o pixador porque o pixo é uma porta para o crime. Isto foi bastante chocante na época.

Uma pergunta pra todos nós nos fazermos: Qual é a lógica que leva um garoto deste pra cadeia alegando crime ambiental e deixa solto arquitetos e construtores, prefeituras e órgãos que aprovam projetos para as poucas áreas verdes das cidades como é o caso da Chácara do Jardim América e da Mata do Planalto?

Eu acredito que há uma nova ontologia, multitudinária, própria da multidão, que leva a juventude a ocupar as superfícies urbanas. Isto tem sido sendo uma das formas mais expressivas de produção de comuns urbanos e eu, no fundo no fundo, acho que o que mais incomoda é que o pixo coloca em xeque as relações espaciais entre o público, a rua (do Estado) e o privado (da ordem da propriedade individual)… Por isto fico pensando: porque é que não inaguram um debate pra conversar sobre esta nova forma de apropriação da cidade, das suas superfícies? Não apenas com um discurso negativo de dizer que o pixo é a voz dos excluídos. O pixo é um gesto de vida, ativo, estes garotos leves e velozes, muito habilidosos, arriscam suas vidas para inscrever em superfícies de forma inimaginável. E isto não tira a vida de ninguém. Não destrói a natureza. Não destrói rios e matas. Ao contrário, qualquer construção destrói o ambiente natural existente ali anteriormente. Nem que seja uma terra a céu aberto com capim que auxilia na drenagem das chuvas. As enchentes urbanas acontecem porque não á área permeável para absorção das águas da chuva. Pessoas morrem afogadas no Rio Arrudas e o Prefeito pergunta se este cidadão de BH que sai quando chove precisa de babá!

Acredito que há muita coisa importante a ser explorada neste contexto da “antropologia urbana” que envolve a compreensão de que existe um novo sujeito político que se manifesta de múltiplas maneiras. Mas os conservadores só irão entender isto depois que o capital naturalizar e transformar em algo rentável financeiramente como já é o caso do graffite que foi totalmente incorporado pelo sistema. O Prefeito de São Paulo faz graffite. A Prefeitura de BH abre edital pra graffiteiro fazer arte em tapumes de obras que estão destruindo o meio ambiente.

É preciso questionar os limites legais e entender que enquanto a cidade estiver à venda, enquanto o espaço for um negócio, tudo gira entorno da valorização disto. E mesmo que estes garotos pixadores não estejam ali deliberadamente fazendo política, pixar é um ato político, talvez dos mais radicais. Ludmilla Zago Júlia Ávila Franzoni Alemar Rena

http://www.otempo.com.br/…/mudan%C3%A7a-delimita-picha%C3%A…

#AdaColau : quando a multidão toma o poder

http://www.democracynow.org/2015/6/5/from_occupying_banks_to_city_hall

ADA, PREFEITA DE BARCELONA: “A LUTA É GLOBAL”
(a partir de 11:30 na entrevista ao DemocracyNow)
“Existe uma continuidade de lutas nos últimos 15 anos. Desde o final dos anos 1990 e começo de 2000, um longo ciclo de protestos começou e ele continua até os dias de hoje: o movimento antiglobalização, o movimento internacional contra a guerra, o movimento dos indignados, várias lutas por moradia, por paz. Todas essas mobilizações que aconteceram não apenas aqui, mas numa escala global, têm muitas coisas em comum. Primeiro, a dimensão global: a percepção que os nossos problemas políticos e econômicos têm uma dimensão global, de maneira que precisamos trabalhar juntos em rede. Somos uma única realidade econômica global e é essencial trabalhar em alianças. Segundo, a necessidade de democracia real, a percepção que, ainda que antes tivéssemos instituições democráticas, compartilhamos a sensação que as decisões não são tomadas pelo parlamento, mas pela direção das empresas e instituições internacionais, como o FMI ou o Banco Mundial, que são profundamente antidemocráticas, que as pessoas não controlam, e que decidem contra a própria cidadania, gerando miséria pelo mundo. A percepção que a democracia foi sequestrada provocou muitos levantes, muitas mobilizações de base, “desde baixo”, em busca de representação direta. A democracia formal não é suficiente, não nos representa, e portanto precisamos encontrar novas formas de participação política em que cada um seja ator, em que cada pessoa possa contribuir diretamente. Todas essas mobilizações nos últimos 15 anos, que cada vez mais usam as tecnologias, a internet e as redes sociais, perseguindo formas inovadoras e diretas de comunicação, em certa medida, atualizaram a democracia, atualizaram as formas de participação política. Essas mobilizações têm muitas expressões distintas em diferentes movimentos pelo mundo, mas claramente existe um excesso que une todas elas.”
(via Javier Toret Medina)

http://cite.flacsoandes.edu.ec/index.php/blog/Entrada/ada-colau-tiene-que-haber-una-ciudadania-organizada-vigilando-y-exigiendo-al-poder-que-cumpla-los-mandatos-ciudadanos

 

#UrbanismoNeoliberaYuppie vem depois do #UrbanismoNeoliberalHipster

‪#‎UrbanismoNeoliberalHipster‬ é exatamente isto! A captura de toda insurgência antes do grande mercado… capitalismo do precariado modernete urbano. Muito bom Sabrina Duran detectar isto! Posso apostar que estes moderninhos têm coquinho e barbona, frequentam as baladas alternativas, trans queer gls radicais (rs). Adoram Parklets e bicicletas. Além disto, é claro, são realmente os novos grupos que precarizam o trabalho dos grandes escritórios que cobravam preços milionários pra fazer o ‪#‎UrbanismoNeoliberalYuppie‬! Eles vêm na frente, gentrificam “pro bem” com suas ideias moderninhas, baratinhas e bonitinhas e depois vem o grande capital internacional junto das empreiteiras locais e passam a “régua” em todo território!
“fazendo uma pesquisa no site brasileiro da empresa norte-americana Ben & Jerry’s, que chegou ao Brasil em 2014 (e já pleiteia o sonho do parque minhocão e da av. paulista fechada pra lazer aos domingos como “nosso sonho”), vi que eles se solidarizaram também com o movimento Occupy Wall Street em 2011 e foram distribuir sorvete às e aos manifestantes acampadas/os no Zucotti Park. até a vaquinha mascote da B&J levantou plaquinha se solidarizando com os 99%.
do ponto de vista da apropriação e capitalização do discurso, achei genial. curiosa pra saber de quais discursos/lutas se apropriaram nos outros 30 países onde estão presentes. certamente discursos/lutas nos quais é possível meter um truck de sorvete no meio e distribuir um monte. vão fazer história.” Sabrina Duran