O golpe na previdência

Manipulações e desrespeito à Constituição maquiam saldos negativos (carta capital)

06/06/2016

O sistema de proteção social brasileiro é o mais abrangente da América Latina, mas corre o risco de uma regressão se a sociedade e o Congresso aceitarem areforma da Previdência esboçada pelo governo do presidente interino Michel Temer.

O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, anunciou na segunda-feira 30 o envio ao Legislativo de uma proposta de emenda constitucional para fixar um teto de gasto para o setor, parte de uma reformulação geral provavelmente no estilo preconizado pelo Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional entre as décadas de 1980 e 1990, de viés privatizante.

O encaminhamento da PEC aprofunda a desestruturação, iniciada nos anos 1990, do sistema instituído pela Constituição de 1988 e aponta para a reversão de conquistas obtidas na luta contra a ditadura. Há no País 24,5 milhões de aposentados e pensionistas, 8,6 milhões no meio rural, e dois terços recebem um salário mínimo por mês.

Segundo o governo, o principal problema das contas públicas é um déficit previdenciário crônico. Um diagnóstico longe do consenso. Consideradas todas as receitas previstas na Constituição, os saldos são positivos e suficientes para financiar todos os gastos do governo federal com previdência, saúde e assistência social, calcula a economista Denise Gentil, da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

“O resultado do encontro do total de receitas e despesas é amplamente superavitário, incluídos os gastos administrativos com pessoal, custeio e pagamento da dívida de cada setor. O superávit foi 56,7 bilhões de reais em 2010, 78,1 bilhões em 2012, 56,4 bilhões em 2014, e 20,1 bilhões em 2015, apesar das enormes desonerações tributárias realizadas nos últimos cinco anos.”

Nas contas do governo, entretanto, houve um déficit de 85,8 bilhões de reais, em 2015, precedido por saldos negativos de 56,7 bilhões no ano anterior, 51,2 bilhões em 2013, 42,3 bilhões em 2012, 36,5 bilhões em 2011 e 44,3 bilhões em 2010.

A discrepância entre os números decorre de uma manipulação. A Constituição de 1988 determina a elaboração de três orçamentos, o Fiscal, o da Seguridade Social e o de investimentos das estatais. Na execução orçamentária, entretanto, o governo apresenta só dois orçamentos, o de Investimentos e o Fiscal e da Seguridade Social, no qual consolida todas as receitas e despesas e unifica o resultado.

Saldo positivo

“Com esse artifício, não é possível identificar a transferência de recursos do orçamento da Seguridade Social para financiar gastos do orçamento Fiscal. Para tornar o quadro ainda mais confuso, isola-se, para efeito de análise orçamentária, o resultado previdenciário do resto do orçamento da Seguridade”, analisa Denise Gentil.

O diagnóstico do economista Milko Matijascic, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, segue a mesma direção. “A Constituição é ignorada e está na hora de fazer uma prestação de contas que respeite as instituições legais”, disse em encontro de entidades de trabalhadores.

“A manobra contábil adotada pelos formuladores das políticas econômicas dos anos 1990, que não trata a seguridade como um todo e desvia parte de seus recursos para outros fins, tornou a Previdência a principal vilã, responsável pelos desajustes nas contas públicas, embora isso não faça sentido pelo prisma legal.”

A deturpação de informações é chave para incutir uma ideia depreciativa do sistema, de insolvência e de precariedade generalizada, sem correspondência na realidade, aponta Denise Gentil.

Um dos principais usos do dinheiro desviado das receitas é o pagamento de juros da dívida pública. “O problema mais importante das contas públicas não é a Previdência, mas uma conta de juros extremamente elevada”, aponta o economista Amir Khair, ex-secretário de Finanças da Prefeitura de São Paulo e consultor em entrevista concedida em fevereiro a esta revista.

“Em 2015, os juros foram responsáveis por 80% do déficit do setor público, mas isso não é discutido porque a mídia interditou o debate sobre a questão fiscal. Dificilmente se verá nos meios de comunicação a expressão déficit nominal, mas, em qualquer outro país, é o que mede o déficit, e consiste na soma do déficit primário e do déficit com juros.”

As visões opostas sobre as contas correspondem a interesses de classe antagônicos, conclui um trabalho do economista Eduardo Fagnani, da Unicamp. “As conquistas do movimento social das décadas de 1970 e 1980 contrariaram os interesses dos detentores da riqueza. Em grande medida, isso ocorreu porque mais de 10% do gasto público federal em relação ao PIB foram vinculados constitucionalmente à seguridade social.”

Para Fagnani, coordenador da rede Plataforma Política Social, “desde a Assembleia Nacional Constituinte aqueles setores desenvolvem ativa campanha difamatória e ideológica orientada para demonizar a Seguridade Social, em especial o seu segmento da Previdência, com gasto equivalente a 8% do PIB”.

Os constituintes de 1988 vincularam recursos do orçamento da Seguridade Social para evitar uma prática corrente na ditadura, de captura, pela área econômica, de fontes de financiamento do gasto social. Para surpresa de muitos, os governos democráticos, a partir de 1990, dilapidaram aquela conquista.

Gráfico

Os interesses em jogo raramente vêm à tona. A defesa do aumento da idade para aposentaria, apresentado como opção única diante do aumento da expectativa de vida, é um artifício para dissimular a busca pela ampliação do espaço das empresas privadas no mercado previdenciário, argumentam Deen Baker e Mark Weisbrot, do Economic Policy Institute, no livro Seguridade Social, a Crise Falsa.

“Não há dúvida quanto ao enorme interesse do sistema financeiro na privatização da Seguridade Social. Ele investe na produção de ideias necessárias para propiciar essa transição.”

Entre os recursos da Previdência desviados das finalidades originais constam as desonerações concedidas às empresas, mencionadas acima. “As renúncias de receitas decorrentes dos ‘gastos tributários’ geraram uma perda de arrecadação estimada em 986 bilhões de reais entre 2010 e 2014, sendo 136 bilhões ‘garfados’ ao orçamento da Seguridade Social somente em 2014”, calcula a economista Lena Lavinas, da UFRJ.

Além da possibilidade de tornar a Previdência superavitária com o fim dos desvios de receitas e das renúncias fiscais, é possível elevá-las de modo substancial e aumentar a abrangência da proteção social, argumentam o economista José Dari Krein e o auditor fiscal do Trabalho Vitor Araújo Filgueiras, pesquisadores do Centro de Estudos Sindicais e Economia do Trabalho do Instituto de Economia da Unicamp, em estudo recente.

A formalização do trabalho assalariado sem carteira assinada acrescentaria ao orçamento anual 47 bilhões de reais, o fim da remuneração “por fora” aos trabalhadores 20 bilhões, o reembolso pelas empresas das despesas com acidentes de trabalho 8,8 bilhões, a extinção do enquadramento de acidentes de trabalho como doenças comuns 17 bilhões, e a eliminação das perdas de arrecadação por subnotificação de acidentes, 13 bilhões.

Segundo os pesquisadores, os números evidenciam que “as contribuições previdenciárias são brutalmente sonegadas pelas empresas no Brasil”.

As cifras do governo sobre o suposto déficit recorrente do sistema estão em questão e as distorções levaram o presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, João Batista Inocentini, a definir como proposta única da entidade, “refazer todas as contas da Previdência”. Uma iniciativa necessária e urgente, diante das evidências apresentadas.”
Fonte: Carta Capital

Pequeno Inventário de Narrativas Documentais da Ditadura Militar:

Pequeno Inventário de Narrativas Documentais da Ditadura Militar:
(Para Assistir nos dias chuvosos) por thiago alves no facebook

• Hércules 56 é um documentário de longa metragem sobre a luta armada contra o regime militar, focado no seqüestro do embaixador Charles Burke Elbrick, ocorrido na Semana da Independência de 1969
https://www.youtube.com/watch?v=Eo4DmmQKjRk

• Dosiê Jango – Um golpe articulado com os EUA, país dito democrático, mas ´´de fachada“, com empresários e militares criminosos golpistas, que nos levou AO SUBDESENVOLVIMENTO do terceiro mundo!
https://www.youtube.com/watch?v=Ic8jfNmTXNE

• Em Busca de Iara – Documentário sobre Iara Iavelberg, uma mulher culta e bela que entrou para a luta armada contra a ditadura e foi companheira do ex-capitão Carlos Lamarca. O filme desmonta a versão oficial do regime que atribui sua morte, em 1971, ao suicídio.
https://www.youtube.com/watch?v=8Djdoj8v-vI

• Setenta – 1970. Auge da ditadura militar no Brasil. Em meio a perseguições, prisões, mortes e sequestros, um grupo de 70 guerrilheiros é libertado no Chile em troca do embaixador suíço sequestrado pela resistência. 40 anos depois, alguns destes personagens contam como tudo aconteceu, como sobreviveram e como vivem até hoje com as marcas do passado de luta.
https://www.youtube.com/watch?v=ji5qWJtNcn4

• Utopia e Barbárie – “Utopia e Barbárie” é um road movie histórico que percorreu ao todo 15 países e levou 19 anos até ser concluído. França, Itália, Espanha, Canadá, EUA, Cuba, Vietnã, Israel, Palestina, Argentina, Chile, México, Uruguai, Venezuela e Brasil. Em cada um desses lugares, Silvio Tendler* documentou os protagonistas e testemunhas da história, os apresentando de forma apartidária.
https://www.youtube.com/watch?v=cn9li_NePro

• Além do Cidadão Kane – Além do Cidadão Kane é um documentário produzido pela BBC de Londres – proibido no Brasil desde a estréia, em 1993, por decisão judicial – que trata das relações sombrias entre a Rede Globo de Televisão, na pessoa de Roberto Marinho, com o cenário político brasileiro.
https://www.youtube.com/watch…

• Uma noite em 67 – Era 21 de outubro de 1967. No Teatro Paramount, centro de São Paulo, acontecia a final do III Festival de Música Popular Brasileira da TV
https://www.youtube.com/watch?v=FOsXaaW4Pkk

• Condor -Condor foi o nome dado à sinistra “Operação Condor”, conexão entre as ditaduras do cone sul nos anos 70 entre governos militares sul-americanos e com o apoio da CIA, que culminou com a morte de cerca de 30 mil pessoas nos anos 70.
https://www.youtube.com/watch?v=HhTjM1dj4e8

• O Ano Que Durou 21 Anos – Em ritmo de espionagem, o filme revela como o governo dos EUA patrocinou e apoiou golpe militar no Brasil em 1964, derrubando o presidente eleito João Goulart. O filme traz documentos Top Secret recentemente liberados e áudios originais da Casa Branca, Departamento de Estado e da CIA, que revela como embaixador dos EUA Lincoln Gordon planejou o golpe militar com o aval dos presidentes John F. Kennedy e Lyndon
https://www.youtube.com/watch?v=QJCugIKcWNs ou https://www.youtube.com/watch?v=U91gtFREBY0

• Golpe Militar 1964 – Excelente documentário que mostra muito bem o que aconteceu no golpe militar do Brasil de 64 e como o governo dos EUA participaram ativamente.
https://www.youtube.com/watch?v=UqgpnC42Caw

• Marighella – Devido à ditadura militar, muito sobre os bastidores da época foi mantido em sigilo ou, no máximo, pouco divulgado. Natural, afinal de contas o país vivia um período onde a censura atuava com rigor, impedindo a publicação livre de notícias e opiniões.
https://www.youtube.com/watch?v=SF2Rt1-e8G8

• Como Iniciar uma Revolução – Gene Sharp é o maior especialista do mundo em revolução não violenta, ele escreveu um livro para derrubar ditaduras. Ele contém uma lista com 198 armas não violentas. ” Não sabemos como o livro se espalhou mas aconteceu. Ele existe em mais de 30 línguas, em diferentes locais do mundo, em todos os continentes exceto a Antártida.” Os ensinamentos do livro de Gene Sharp são usados por revolucionários do mundo todo.
https://www.youtube.com/watch?time_continue=63&v=jqtTc_CMlJg

• Cidadão Boilesen – O documentário Cidadão Boilesen de Chaim Litewski, montado por Pedro Asbeg, conta a história do empresário. O documentário afirma que Boilesen era um cidadão marcado pelas ambiguidades e paradoxos típicos dos seres humanos.
https://www.youtube.com/watch?v=yGxIA90xXeY

BRASIL E OS BRICS: diagrama das 5 potências

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Pra quem só quer debater o golpe no Brasil a partir das forças internas e conservadoras, aqui vai um diagrama simples que explica claramente o interesse geopoítico no Brasil. Venho tendo a impressão que as pessoas não entendem porque têm uma visão equivocada, plantada pela mídia nacional e internacional, uma construção subjetiva induzida de que somos um paiseco qualquer! Não! Não somos! E os BRICs, além de criar um banco que pretende tocar uma economia mundial independente dos EUA, também inventou um cabeamento para internet que passaria fora dos EUA, o primeiro do mundo! Além disto, Rússia e China impedem que os EUA consigam “vencer” a guerra no oriente médio e consiga extrair dali o petróleo e o gás, assim como um conjunto gigantesco de consumidores. Brasil vinha articulando fortemente (de maneira para nós quase invisível) seu avanço econômico na África e na Améria Latina, o que também, obviamente incomodava muito Obama. Além disto, Brasil recusava os tais tratados de “livre” comércio com UE e EUA já que ambos eram totalmente unilaterais. São infinitos os motivos para que os EUA produzissem no Brasil este ataque sistemático à nossa democracia, que nos parecia pouca, mas vai nos parecer maravilhoso a partir do momento que Temer, Cunha, ou STF, Serra, PSDB assumirem o poder. Menosprezamos o quão difícil foi para o PT governar fazendo a vontade dos abutres nacionais e internacionais. Talvez agora fique tudo mais claro, mas pode ser tarde demais! ‪#‎CartografiaDoGolpe‬

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CARTA ABERTA DE SNOWDEN AO POVO DO BRASIL

Documento publicado em 2014 pelo Jornal Inverta, onde Edward Snowden já denunciava a espionagem e o interesse dos EUA na Petrobrás.

“Seis meses atrás, emergi das sombras da Agência Nacional de Segurança (NSA) dos EUA para me posicionar diante da câmera de um jornalista.

Compartilhei com o mundo provas de que alguns governos estão montando um sistema de vigilância mundial para rastrear secretamente como vivemos, com quem conversamos e o que dizemos.

Fui para diante daquela câmera de olhos abertos, com a consciência de que a decisão custaria minha família e meu lar e colocaria minha vida em risco.

O que me motivava era a ideia de que os cidadãos do mundo merecem entender o sistema dentro do qual vivem.

Meu maior medo era que ninguém desse ouvidos ao meu aviso. Nunca antes fiquei tão feliz por ter estado tão equivocado.

A reação em certos países vem sendo especialmente inspiradora para mim, e o Brasil é um deles, sem dúvida.

Na NSA, testemunhei com preocupação crescente a vigilância de populações inteiras sem que houvesse qualquer suspeita de ato criminoso, e essa vigilância ameaça tornar-se o maior desafio aos direitos humanos de nossos tempos.

A NSA e outras agências de espionagem nos dizem que, pelo bem de nossa própria “segurança” –em nome da “segurança” de Dilma, em nome da “segurança” da Petrobras–, revogaram nosso direito de privacidade e invadiram nossas vidas.

E o fizeram sem pedir a permissão da população de qualquer país, nem mesmo do delas.

Hoje, se você carrega um celular em São Paulo, a NSA pode rastrear onde você se encontra, e o faz: ela faz isso 5 bilhões de vezes por dia com pessoas no mundo inteiro.

Quando uma pessoa em Florianópolis visita um site na internet, a NSA mantém um registro de quando isso aconteceu e do que você fez naquele site.

Se uma mãe em Porto Alegre telefona a seu filho para lhe desejar sorte no vestibular, a NSA pode guardar o registro da ligação por cinco anos ou mais tempo.

A agência chega a guardar registros de quem tem um caso extraconjugal ou visita sites de pornografia, para o caso de precisarem sujar a reputação de seus alvos.

Senadores dos EUA nos dizem que o Brasil não deveria se preocupar, porque isso não é “vigilância”, é “coleta de dados”.
Dizem que isso é feito para manter as pessoas em segurança. Estão enganados.

Existe uma diferença enorme entre programas legais, espionagem legítima, atuação policial legítima –em que indivíduos são vigiados com base em suspeitas razoáveis, individualizadas– e esses programas de vigilância em massa para a formação de uma rede de informações, que colocam populações inteiras sob vigilância onipresente e salvam cópias de tudo para sempre.
Esses programas nunca foram motivados pela luta contra o terrorismo: são motivados por espionagem econômica, controle social e manipulação diplomática. Pela busca de poder.

Muitos senadores brasileiros concordam e pediram minha ajuda com suas investigações sobre a suspeita de crimes cometidos contra cidadãos brasileiros.

Expressei minha disposição de auxiliar quando isso for apropriado e legal, mas, infelizmente, o governo dos EUA vem trabalhando arduamente para limitar minha capacidade de fazê-lo, chegando ao ponto de obrigar o avião presidencial de Evo Morales a pousar para me impedir de viajar à América Latina!

Até que um país conceda asilo político permanente, o governo dos EUA vai continuar a interferir com minha capacidade de falar.
Seis meses atrás, revelei que a NSA queria ouvir o mundo inteiro. Agora o mundo inteiro está ouvindo de volta e também falando.
E a NSA não gosta do que está ouvindo.

A cultura de vigilância mundial indiscriminada, que foi exposta a debates públicos e investigações reais em todos os continentes, está desabando.

Apenas três semanas atrás, o Brasil liderou o Comitê de Direitos Humanos das Nações Unidas para reconhecer, pela primeira vez na história, que a privacidade não para onde a rede digital começa e que a vigilância em massa de inocentes é uma violação dos direitos humanos.

A maré virou, e finalmente podemos visualizar um futuro em que possamos desfrutar de segurança sem sacrificar nossa privacidade.

Nossos direitos não podem ser limitados por uma organização secreta, e autoridades americanas nunca deveriam decidir sobre as liberdades de cidadãos brasileiros.

Mesmo os defensores da vigilância de massa, aqueles que talvez não estejam convencidos de que tecnologias de vigilância ultrapassaram perigosamente controles democráticos, hoje concordem que, em democracias, a vigilância do público tem de ser debatida pelo público.

Meu ato de consciência começou com uma declaração: “Não quero viver em um mundo em que tudo o que digo, tudo o que faço, todos com quem falo, cada expressão de criatividade, de amor ou amizade sejam registrados.

Não é algo que estou disposto a apoiar, não é algo que estou disposto a construir e não é algo sob o qual estou disposto a viver.”

Dias mais tarde, fui informado que meu governo me tinha convertido em apátrida e queria me encarcerar.
O preço do meu discurso foi meu passaporte, mas eu o pagaria novamente: não serei eu que ignorarei a criminalidade em nome do conforto político. Prefiro virar apátrida a perder minha voz.
Se o Brasil ouvir apenas uma coisa de mim, que seja o seguinte: quando todos nos unirmos contra as injustiças e em defesa da privacidade e dos direitos humanos básicos, poderemos nos defender até dos mais poderosos dos sistemas.”

O neoliberalismo ataca novamente o Brasil

Eles voltaram!
‪#‎CartografiaDoGolpe‬

Aconselho, para acabar de morrer de tristeza, assistirem ao belíssimo documentário sobre a chegada forte do NEOLIBERALISMO no Brasil com Collor. Claro que os EUA ali fizeram errado, porque a turma patrimonialista local não deixou rolar o golpe na época e impeachmou o moço. Depois disso, aprenderam, e daí fizeram bem feito, via espionagem #NSA ameaçando o #PMDB (pra mim a maior vítima deste golpe) e o jogando contra o #PT pra dar o golpe completo. Os parceiros dos golpistas americanos no Brasil são do PSDB e agora, na versão 2.0, são Janot, Moro, que com as infos coletadas pela NSA/ CIA conseguiram colocar o legisltaivo, o executivo e o judiciário na mão para que o golpe fosse completo. Totlamente genial. Parabéns ‪#‎Obama‬!
As cenas do Estado como um elefante é inesquecível. Assistimos isto aí nas salas de tv das nossas casas! Bom taí o doc:

Máquinas de produção de subjetividades fascistas

.Eu respeito 100% de quem só quer ter amigo legal no face e só quer curtir coisa legal. Mas vou avisando, eu curto muitas coisas monstruosas pra entender o modus operandi desta nova/velha direita fascista que saiu do armário desde 2013. Por isso talvez eu não esteja nem um pouco assustada com as falas no congresso. Aí a gente entende que há uma grande rede de direita produzindo um discurso assustador fascista, machista, racista, que não somente nasce dos políticos bandidos, mas também de uma rede que é composto por infinitos grupos de direita como o MBL, o MCC, o VemPraRua, o Endireita Brasil, o Revoltados Online… e tem também, os mais absurdos pra mim que são tipo o Instituto Mises, que é exatamente o discurso coxinha neoliberal mais “elegante”, mas que é tão aterrorizante que os outros de baixaria. A maioria destes grupos e políticos são financiados por fundações americanas, por empresas americanas com interesse na derrubada do governo do PT. E daí quando acompanhamos o que estas máquinas de produção de subjetividade fascista pensam e repetem diariamente, a gente entende melhor o caminho do ‪#‎golpe‬. E por esse motivo eu venho alertando, desde 2013, que há uma máquina de produção em série, feito salsicha, de subjetividades fascistas. E os EUA estão por detrás disso tudo. Nunca se esqueçam que essas igrejas pentecostais são franchisings das americanas. E de alguma maneira, todo esse palavriado vem daí também. Inclusive, o cavalo de Tróia dos EUA que é a Marina Cia esperando pra desembarcar no planalto central! Acorda Brasil. Acorda esquerda do mundo de bobs bonitinha, a luta é infinitamente maior do que se pode imaginar. Enquanto vcs deletam os amigos que curtem Bolsonaro pra entender o mundo, vai ficando claro que as esquerdas da paz e amor não entendem bem o que passa porque só querem viver no seu pequeno mundo! Tem um mundo gigante fora do Fla x Flu Cunha X Dilma… PSDB X PT…
‪#‎CartografiaDolGolpe‬

mapas e cartografias

mapa 5

Exemplos de mapas e cartografias envolvendo maneiras de denunciar realidades excludentes de forma sintética e crítica:

The Cartographic Paradox, projeto de Bill Rankin’s Radical Cartography!

http://www.uncubemagazine.com/blog/16587010?wt_mc=nluw.2016-03-31.content.linkartikel

http://radicalcartography.net/

 

Apps para cartografias de redes e actantes

Alguns links e sites que nos ajudam a fazer cartografias de redes e actantes:

  • Este é um dos estudos que a matéria abaixo vai citar como referência: http://arxiv.org/pdf/1107.5728v2.pdf
  • Se você quiser fazer uma análise americana, este site They Rule mostra exatamente como funcionam e se conectam os conselheiros das empresas nos EUA. Por ser interativo, você pode construir caminhos diversos pra fazer análises.

http://www.theyrule.net

  • E este site aqui é uma tentativa de fazer uma cartografia dos proprietários do Brasil: http://www.proprietariosdobrasil.org.br
  • E ainda tem o Donos do Congresso:

http://donosdocongresso.com.br/home/

  • E o site Eles mandam!

http://elesmandam.reporterbrasil.org.br

  • Esta nova plataforma também parece muito boa, é só registrar nela e fazer a rede:

Te presentamos Onodo: crea gráficos de redes y cuenta historias con ellos

 

  • E esta aqui que inclui linha do tempo e a possibilidade de incluir dados em formato de blog:

http://quienmanda.es/people/mariano-rajoy

 

 

#pixo

Por Márcia Tiburi:
“‪#‎DecriminalizarAPiXação‬ ‪#‎PixoLivre‬
Minha mais nova “amiga” aqui neste FB é Suellem Ribeiro que mora em Belo Horizonte. Ela está presa em casa com uma coisa estranha chamada “tornozeleira” junto ao seu corpo. Suellem foi presa de um jeito muito estranho, em uma operação da polícia de Belo Horizonte em que prenderam umas 15 pessoas acusadas de serem pixadores. Como eu também sou pixadora vou defender a minha colega.
Estou na metáfora, verdade. Mas, por outro lado, a pixação é um conceito complexo. A gente pixa muita coisa de muitos jeitos.
Os pais da Suellem, assim como ela, não estão bem com essa prisão maluca, em casa, depois de tudo o que a garota passou na cadeia. Não entendem o motivo pelo qual a filha foi presa e porque está presa em casa com esse objeto humilhante preso ao seu corpo.
Eu me junto aos pais dela. É algo tão sem sentido que, mesmo os especialistas não conseguem justificar o que aconteceu. Ela e os colegas tem um advogado. Tomara que ele consiga resgatar a garotada desse delírio autoritário do Estado Penal, porque não é outra coisa. Se ela fosse rica já estaria livre. Isso é certo. Mas o fato é que ela está presa em casa e não estava fazendo mal a ninguém.
O pixo não é mal nenhum. Nunca.
O pixo é complicado para as pessoas, é verdade. E nisso reside a sua força e a sua beleza. O pixo significa muitas coisas complexas, como por exemplo, o direito visual à cidade. Mas sobretudo o que é interessante de ver é que ele melhora a cidade visualmente. Isso também é difícil para as pessoas. A cidade fica elegante. Não fosse o pixo em São Paulo, nas grandes cidades, a pobreza visual seria incrível. E o reino seria o da cafonice. Ainda bem que há o pixo pra nos salvar do nouveau riche. Falo isso meio ironizando, porque todo mundo sabe que a disputa estética só esconde um problema político grave, o autoritarismo do sistema. Contra o qual, aliás, parece que a Suellem pichou uma coisa ótima.
O uso da tornozeleira me deixa indignada. É desproporcional. Deixo aos meus amigos do direito, o esforço de explicar o que se passa didaticamente. E o farão para concluir o que todos sabemos: que é só mais um ato autoritário desse negócio que é o Estado Penal.
Eu vou defender a Suellem junto da pixação que é uma prática de linguagem das mais ricas em termos poéticos e líricos, estéticos e políticos. Já fiz tanto isso de falar da pixação que até fico meio com medo de me repetir. Por defender a pixação como linguagem (e ARTE), também já fui maltratada em situações bem medonhas. Quem não entende de pixo em geral tem ódio dele. Coisas de ideias fixas e idiossincrasias. As pessoas odeiam o que não entendem, além de viverem cegas na estética-política do muro liso e limpinho que tem os piores significados sociais. Sobretudo em um país como o nosso.
Bom, mas o assunto é sério e tem muita gente com a intenção de esclarecer sobre o que se trata. Eu já escrevi na Cult, na Redobra, já falei sobre isso em muitos lugares. Estava pensando umas coisas que eu achei que eram muito interessantes e sofisticadas em termos de filosofia com a pixação. Quem quiser ler, só olhar: http://www.redobra.ufba.br/…/20…/12/redobra12_EN6_marcia.pdf
Antes tinha escrito o Pensamento Pixação: http://www.redobra.ufba.br/…/20…/12/redobra12_EN6_marcia.pdf
Mas agora comecei a sofrer porque pensei que o delegado, o policial, essa gente toda que se juntou pra prender os meninos nunca vão querer entender do que se trata. Aí encontrei um texto na página do Pixo Livre
https://www.facebook.com/pixolivre?fref=ts
escrito pela Natacha Rena que me pareceu o melhor de todos pra explicar para as pessoas o que é o pixo. Recomendo que leiam:
https://www.facebook.com/natacha.rena/posts/10153043719240838?fref=nf
#DecriminalizarAPiXação #PixoLivre
GustavoCoelho
Suellem Ribeiro, não vamos deixar você sozinha em casa.”

quanto mais preso, maior o lucro

QUANTO MAIS PRESO, MAIOR O LUCRO
E pode ser preso baixando a maioridade penal ou prendendo apenas restringindo a liberdade pro “de menor” aumentando o tempo de reclusão de 3 para 8 anos (como quer o Ministro da Justiça do atual governo). Tá bonito ver PT e PSDB juntos no projeto que vai deixar a bancada da jaula super feliz. A questão é que vão privatizar de um jeito ou de outro o dispositivo de privação de liberdade.
Este documentário deveria ser passado nas ruas, nas escolas, nas igrejas, nas festas, em todos os lugares deste país. O que estão preparando para os pretos-pobres é o seguinte:
1. os grandes traficantes nacionais brancos-ricos, que estão envolvidos tanto no judiciário quanto no senado, continuam carregandos helicópteros com cocaína pura que é trazida pro Brasil e distribuída nas favelas para que os pretos-pobres trafiquem;
2. pretos-pobres traficam e abastecem o mercado dos brancos ricos que usam cocaína;
3. pretos-pobres pagam para a PM e para a Milícia fazer vista grossa, mas às vezes não obedecem ao esquema e são assassinados (um por hora no país);
4. Estado-capital criam PPPs (parcerias público-privadas) nas quais o Estado investe/ paga/ doa/ transfere pra empresas privadas (com nosso dinheiro) alguns mil reais por preso por mês;
5. pretos-pobres presos se tornam uma mina de ouro porque fazem com que o Estado transfira recurso público para o mercado e além de serem presos pra dar lucro, eles trabalham pra empresas privadas de graça produzindo de tudo (sem o benefício das leis trabalhistas).
6. ‪#‎Pimentel‬ vai dar continuidade ao projeto do PSDB de Aécio e Anastasia e já inaugura mais algumas prisões;
7. para aumentar o lucro, mais preto-pobre precisa ser preso.

http://apublica.org/2014/05/quanto-mais-presos-maior-o-lucro/

http://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2015/06/1642825-cunha-faz-acordo-com-psdb-e-reducao-da-maioridade-deve-passar-na-camara.shtml